segunda-feira, 29 de julho de 2013

Pelo fim dos clubes "Ltda"

Guaratinguetá. Pouco mais de 100 mil habitantes. Distante 175 km da capital paulista. Denominada (imagina-se que por seus próprios moradores) de “Capital do Fundo do Vale”, seja lá o que isso significa. Cidade pacata, típica dessas de clubes pertencentes à Série A2, A3 do Campeonato Paulista. O que torna pouco comum que um time daí esteja presente na Série B do Campeonato Brasileiro, segundo nível nacional (bem como jamais será comum a presença do Palmeiras nesse nível, mas...).

É importante deixar claro a diferença entre clubes tradicionais do interior e aberrações como essas. Agremiações tradicionais e históricas como Internacional de Limeira, São José, XV de Piracicaba e XV de Jaú conquistaram em campo e por méritos próprios seus lugares nos livros e almanaques do futebol paulista. Distante de elenco artificialmente inchados e investimentos escusos. Ainda que, por vezes, empresários e políticos locais os utilizassem, seu passado e valor histórico são indiscutíveis. São adversários merecedores de respeito. Adversários duros e contra os quais as partidas tem um sabor diferenciado. Uma vitória tem valor...

Muito diferente do que representa o adversário do Palestra no último sábado. De início, um clube que tenha a razão social como nome já diz muito sobre seu real significado: “Guaratinguetá Futebol Ltda”. Limitada. Termo legal para restringir a responsabilidade (financeira, cível e) empresarial de seus sócios. Aqui se tem claramente que o objetivo do clube é lucrar. Lucrar para seus sócios, em cima de seus torcedores (e de seus adversários) e em cima do futebol, sobretudo.

Seu site informa que os clássicos são disputados contra o tradicional São José EC. Façam-me o favor, meus caros! Respeitem a história e tradição do São José e até mesmo a história da própria cidade de Guaratinguetá. O grande rival da Águia do Vale é o EC Taubaté, sendo que alguns grandes embates foram travados frente à extinta Esportiva de Guaratinguetá, essa sim merecedora de respeito.

Quem esteve presente ao Estádio Ninho da Garça (uma típica cancha interiorana, com seus erros e acertos, mas digna de receber uma partida) no último sábado pôde constatar a aberração na qual se constitui um clube de empresários. Desconheço a história e tradição da organizada “Fúria Tricolor”, única que claramente se fez presente ao estádio. Pode ser que a mesma tenha origem na extinta Esportiva, mas apoiar um clube bancado por uma empresa é sujeitar a própria história do esporte na cidade ao limbo.

Muitos torcedores palmeirenses compraram entradas na torcida local, composta majoritariamente por visitantes, que praticamente preencheram o estádio de verde e branco, relegando o vermelho ao segundo plano. Algo inaceitável em verdadeiros palcos do futebol. Mas comum quando se pensa no esporte aliado a interesses empresariais, que visam exclusivamente o lucro.

Os mesmos interesses que fizeram com que o clube se mudasse para Americana em 2011, disputando os torneios com outra denominação e em outra sede. Os mesmos interesses que devolveram a empresa (e o time) à cidade no ano seguinte. Os mesmos interesses da empresa que afundou agremiações tradicionais do futebol brasileiro, como Figueirense, Avaí, Fortaleza e Portuguesa Santista. Interesses da empresa Sony Sports, que se diz especialista em “gestão de clubes”, seja lá o que signifique isso.

Esse panorama precisou ser feito a fim de ressaltarmos o tipo de adversários que enfrentamos nessa Série B. Clubes que ocasionalmente desgarram e avançam à Série A, mas cujo principal objetivo no futebol está em lucrar o máximo possível, seja com atletas, com gestão, com direitos de transmissão, mas, sobretudo sobre a paixão dos torcedores.

Com a tradição e história que possui, o Palmeiras tem a obrigação moral e esportiva de esmagar sempre que possível adversários desse tipo. Impedindo que cresçam ainda mais e tenham qualquer chance de avançar às divisões mais altas. Por isso, permitir que saiam com um ponto, ainda que tenham contado com a providencial ajuda da arbitragem, é inadmissível. E tem de ser sempre!

Por um retorno tranquilo ao topo, uma campanha decente na Série B, mas, sobretudo pelo bem do futebol, que no returno o Palmeiras humilhe e goleie o Guaratinguetá, em casa.

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Vale ressaltar que mesmo não sendo o adversário digno de tanto valor, o estádio Dario Rodrigues Leite, apelidado de “Ninho da Garça”, tem seus méritos. Encravado em uma espécie de elevação, tem uma vista excelente da partida e do entorno do estádio. Sem frescuras, é possível assistir o jogo em pé, contando com o bom e velho cimento para os torcedores. Uma ode ao futebol como esporte tradicional.






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