Guaratinguetá. Pouco mais de 100 mil habitantes. Distante 175 km da
capital paulista. Denominada (imagina-se que por seus próprios moradores) de
“Capital do Fundo do Vale”, seja lá o que isso significa. Cidade pacata, típica
dessas de clubes pertencentes à Série A2, A3 do Campeonato Paulista. O que
torna pouco comum que um time daí esteja presente na Série B do Campeonato
Brasileiro, segundo nível nacional (bem como jamais será comum a presença do
Palmeiras nesse nível, mas...).
É importante deixar claro a diferença entre clubes tradicionais do
interior e aberrações como essas. Agremiações tradicionais e históricas como
Internacional de Limeira, São José, XV de Piracicaba e XV de Jaú conquistaram
em campo e por méritos próprios seus lugares nos livros e almanaques do futebol
paulista. Distante de elenco artificialmente inchados e investimentos escusos.
Ainda que, por vezes, empresários e políticos locais os utilizassem, seu
passado e valor histórico são indiscutíveis. São adversários merecedores de
respeito. Adversários duros e contra os quais as partidas tem um sabor
diferenciado. Uma vitória tem valor...
Muito diferente do que representa o adversário do Palestra no último
sábado. De início, um clube que tenha a razão social como nome já diz muito
sobre seu real significado: “Guaratinguetá Futebol Ltda”. Limitada. Termo legal
para restringir a responsabilidade (financeira, cível e) empresarial de seus
sócios. Aqui se tem claramente que o objetivo do clube é lucrar. Lucrar para seus
sócios, em cima de seus torcedores (e de seus adversários) e em cima do
futebol, sobretudo.
Seu site informa que os clássicos são disputados contra o tradicional
São José EC. Façam-me o favor, meus caros! Respeitem a história e tradição do
São José e até mesmo a história da própria cidade de Guaratinguetá. O grande
rival da Águia do Vale é o EC Taubaté, sendo que alguns grandes embates foram
travados frente à extinta Esportiva de Guaratinguetá, essa sim merecedora de
respeito.
Quem esteve presente ao Estádio Ninho da Garça (uma típica cancha
interiorana, com seus erros e acertos, mas digna de receber uma partida) no
último sábado pôde constatar a aberração na qual se constitui um clube de
empresários. Desconheço a história e tradição da organizada “Fúria Tricolor”,
única que claramente se fez presente ao estádio. Pode ser que a mesma tenha
origem na extinta Esportiva, mas apoiar um clube bancado por uma empresa é
sujeitar a própria história do esporte na cidade ao limbo.
Muitos torcedores palmeirenses compraram entradas na torcida local,
composta majoritariamente por visitantes, que praticamente preencheram o
estádio de verde e branco, relegando o vermelho ao segundo plano. Algo
inaceitável em verdadeiros palcos do futebol. Mas comum quando se pensa no
esporte aliado a interesses empresariais, que visam exclusivamente o lucro.
Os mesmos interesses que fizeram com que o clube se mudasse para
Americana em 2011, disputando os torneios com outra denominação e em outra
sede. Os mesmos interesses que devolveram a empresa (e o time) à cidade no ano
seguinte. Os mesmos interesses da empresa que afundou agremiações tradicionais
do futebol brasileiro, como Figueirense, Avaí, Fortaleza e Portuguesa Santista.
Interesses da empresa Sony Sports, que se diz especialista em “gestão de
clubes”, seja lá o que signifique isso.
Esse panorama precisou ser feito a fim de ressaltarmos o tipo de
adversários que enfrentamos nessa Série B. Clubes que ocasionalmente desgarram
e avançam à Série A, mas cujo principal objetivo no futebol está em lucrar o
máximo possível, seja com atletas, com gestão, com direitos de transmissão,
mas, sobretudo sobre a paixão dos torcedores.
Com a tradição e história que possui, o Palmeiras tem a obrigação moral
e esportiva de esmagar sempre que possível adversários desse tipo. Impedindo
que cresçam ainda mais e tenham qualquer chance de avançar às divisões mais
altas. Por isso, permitir que saiam com um ponto, ainda que tenham contado com
a providencial ajuda da arbitragem, é inadmissível. E tem de ser sempre!
Por um retorno tranquilo ao topo, uma campanha decente na Série B, mas,
sobretudo pelo bem do futebol, que no returno o Palmeiras humilhe e goleie o
Guaratinguetá, em casa.
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Vale ressaltar que mesmo não sendo o adversário digno de tanto valor, o
estádio Dario Rodrigues Leite, apelidado de “Ninho da Garça”, tem seus méritos.
Encravado em uma espécie de elevação, tem uma vista excelente da partida e do
entorno do estádio. Sem frescuras, é possível assistir o jogo em pé, contando
com o bom e velho cimento para os torcedores. Uma ode ao futebol como esporte
tradicional.





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