A derrota em Recife
no último sábado tem de ser vista na perspectiva que merece: perdemos novamente
para um time historicamente inferior, que jogou mais que o nosso tecnicamente
limitado elenco e nos afastou um pouco mais do nosso objetivo imediato de retornar
à elite.
Mais do que isso,
algo que já virou praxe nos últimos anos (e inúmeros vexames acumulados): demos
fama a um jogador/time que, em outros tempos, estaria relegado ao lugar que lhe
é de direito: o limbo. Nunes é mais um da classe de Romeritos, Caions, Nádsons,
etc... jogadores medíocres que constroem seu nome no acúmulo de vexames a que
estamos sendo submetidos.
Sendo direto: esses
fracassos só terão fim quando a direção entender que precisamos de um time, uma
base, um comando sobre os quais podemos confiar e montar um grupo vencedor. Sem
isso, ficaremos reféns de espasmos de jogadores medíocres e intimidados e
continuaremos a fazer o nome de adversários historicamente ridículos e seus
atletas igualmente limitados.
Minha primeira
passagem pelo Recife para acompanhar o Verdão reservou uma derrota, uma pena,
mas valeu a pena para constatar um fato cada vez mais óbvio: não importa se
jogando em casa ou fora, os torcedores sustentam o time. Sempre. Poder
constatar in loco a influência que
possui o Palestra no Nordeste é algo alentador. E serve de aviso para os
pretensos “experts” em marketing/relacionamento do nosso corpo diretivo: são um
grupo abandonado, sem incentivo algum da SEP, apoio para as partidas na região,
nem qualquer ação para trazer essa força para as nossas fileiras.
O tratamento recebido
pelos visitantes para a partida de sábado foi um exemplo: não houve separação
entre torcedores na entrada e na obtenção de ingressos, mas houve truculência
por parte da polícia local, que obrigava o torcedor comum a passar pelo meio da
torcida adversária se o mesmo chegasse pelo “lado errado” e proibiu a entrada
de inúmeras faixas das torcidas organizadas.
Se vale um elogio
pelo fato de a diretoria ter obtido uma parte da carga de ingressos de forma
antecipada para vender em São Paulo (é tão difícil assim planejar-se quanto a
essas partidas fora?), também é preciso ressaltar que uma parte significativa
de torcedores da SEP, como exige sua tradição de clube de massa, tem apreço por
acompanhar o clube também nos jogos fora de casa. E um apoio oficial nessas
partidas, designando funcionários do clube nos acessos e na orientação, é um
passo fundamental nesse caminho.
O “Palmeiras Tour”
obviamente não se encaixa nessa categoria, pois somente uma pequena parte dos
torcedores que acompanham o clube nessas partidas reúne condições financeiras
para pagar o valor que o pacote exige. Além disso, há um grupo de torcedores,
no qual me incluo, que não estão interessados em benefícios como “transporte
executivo com serviço de bordo (água, refrigerante e cerveja)”, “hospedagem em
hotel de categoria superior” ou “acompanhamento de guia”, necessitando tão
somente do ingresso para a arquibancada visitante. Um grupo interessado em
acompanhar o Palmeiras na bancada, ao lado de seus iguais e torcedores locais
que simbolizam a grandeza que o Palestra possui. É vital que entendam essa
necessidade.
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Não vou falar de
arbitragem. Prejudicados ou beneficiados em determinadas partidas, diferente do
mata-mata, o sistema de pontos corridos possibilita que esses pontos sejam
recuperados/perdidos. Levando-se em consideração história, tradição, títulos,
camisa ou qualquer outro peso a ser analisado, o Palmeiras teria obrigação de
sobrar na Série B de 2013. Vou até mais longe e acho que o acesso deveria ser
garantido com cinco, dez rodadas de antecedência e, a partir daí, jogadores da
base deveriam compor o elenco no restante do torneio a fim de adquirirem cancha
para a próxima temporada.
Por esse motivo,
falhas da arbitragem, como a do último fim de semana, deveriam ser superadas.
Vejam bem, quando digo superadas não quero dizer relevadas. Dirigentes e
comissão técnica têm a obrigação de cobrar a infame CBF, STJD ou qualquer outra
entidade que nos prejudique. Um time forte exige, também, respeito nos
bastidores. E essa cobrança deveria partir de quem nos dirige.
A ideia, contudo, é
fazer perceber que um clube do tamanho da SEP não pode, em hipótese alguma,
contar com o futebol exibido na Ilha do Retiro. E não só. Em nenhuma das cinco
primeiras partidas da competição o time exibiu o nível mínimo de técnica,
organização, tática e raça que nossa tradição exige. Novamente, vale a pena
fazer o adendo, nosso objetivo de subir não pode mascarar a verdade que
incomoda: não passaríamos de meros candidatos à nova queda com essa equipe na
Série A.














