segunda-feira, 10 de junho de 2013

Tropeço em Recife

A derrota em Recife no último sábado tem de ser vista na perspectiva que merece: perdemos novamente para um time historicamente inferior, que jogou mais que o nosso tecnicamente limitado elenco e nos afastou um pouco mais do nosso objetivo imediato de retornar à elite.

Mais do que isso, algo que já virou praxe nos últimos anos (e inúmeros vexames acumulados): demos fama a um jogador/time que, em outros tempos, estaria relegado ao lugar que lhe é de direito: o limbo. Nunes é mais um da classe de Romeritos, Caions, Nádsons, etc... jogadores medíocres que constroem seu nome no acúmulo de vexames a que estamos sendo submetidos.

Sendo direto: esses fracassos só terão fim quando a direção entender que precisamos de um time, uma base, um comando sobre os quais podemos confiar e montar um grupo vencedor. Sem isso, ficaremos reféns de espasmos de jogadores medíocres e intimidados e continuaremos a fazer o nome de adversários historicamente ridículos e seus atletas igualmente limitados.

Minha primeira passagem pelo Recife para acompanhar o Verdão reservou uma derrota, uma pena, mas valeu a pena para constatar um fato cada vez mais óbvio: não importa se jogando em casa ou fora, os torcedores sustentam o time. Sempre. Poder constatar in loco a influência que possui o Palestra no Nordeste é algo alentador. E serve de aviso para os pretensos “experts” em marketing/relacionamento do nosso corpo diretivo: são um grupo abandonado, sem incentivo algum da SEP, apoio para as partidas na região, nem qualquer ação para trazer essa força para as nossas fileiras.

O tratamento recebido pelos visitantes para a partida de sábado foi um exemplo: não houve separação entre torcedores na entrada e na obtenção de ingressos, mas houve truculência por parte da polícia local, que obrigava o torcedor comum a passar pelo meio da torcida adversária se o mesmo chegasse pelo “lado errado” e proibiu a entrada de inúmeras faixas das torcidas organizadas.

Se vale um elogio pelo fato de a diretoria ter obtido uma parte da carga de ingressos de forma antecipada para vender em São Paulo (é tão difícil assim planejar-se quanto a essas partidas fora?), também é preciso ressaltar que uma parte significativa de torcedores da SEP, como exige sua tradição de clube de massa, tem apreço por acompanhar o clube também nos jogos fora de casa. E um apoio oficial nessas partidas, designando funcionários do clube nos acessos e na orientação, é um passo fundamental nesse caminho.

O “Palmeiras Tour” obviamente não se encaixa nessa categoria, pois somente uma pequena parte dos torcedores que acompanham o clube nessas partidas reúne condições financeiras para pagar o valor que o pacote exige. Além disso, há um grupo de torcedores, no qual me incluo, que não estão interessados em benefícios como “transporte executivo com serviço de bordo (água, refrigerante e cerveja)”, “hospedagem em hotel de categoria superior” ou “acompanhamento de guia”, necessitando tão somente do ingresso para a arquibancada visitante. Um grupo interessado em acompanhar o Palmeiras na bancada, ao lado de seus iguais e torcedores locais que simbolizam a grandeza que o Palestra possui. É vital que entendam essa necessidade.

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Não vou falar de arbitragem. Prejudicados ou beneficiados em determinadas partidas, diferente do mata-mata, o sistema de pontos corridos possibilita que esses pontos sejam recuperados/perdidos. Levando-se em consideração história, tradição, títulos, camisa ou qualquer outro peso a ser analisado, o Palmeiras teria obrigação de sobrar na Série B de 2013. Vou até mais longe e acho que o acesso deveria ser garantido com cinco, dez rodadas de antecedência e, a partir daí, jogadores da base deveriam compor o elenco no restante do torneio a fim de adquirirem cancha para a próxima temporada.

Por esse motivo, falhas da arbitragem, como a do último fim de semana, deveriam ser superadas. Vejam bem, quando digo superadas não quero dizer relevadas. Dirigentes e comissão técnica têm a obrigação de cobrar a infame CBF, STJD ou qualquer outra entidade que nos prejudique. Um time forte exige, também, respeito nos bastidores. E essa cobrança deveria partir de quem nos dirige.


A ideia, contudo, é fazer perceber que um clube do tamanho da SEP não pode, em hipótese alguma, contar com o futebol exibido na Ilha do Retiro. E não só. Em nenhuma das cinco primeiras partidas da competição o time exibiu o nível mínimo de técnica, organização, tática e raça que nossa tradição exige. Novamente, vale a pena fazer o adendo, nosso objetivo de subir não pode mascarar a verdade que incomoda: não passaríamos de meros candidatos à nova queda com essa equipe na Série A.









quarta-feira, 5 de junho de 2013

Hora de reagir, Palmeiras!

Vencemos. Como é obrigação de qualquer time grande que se preze como tal. Jogando bem ou mal, vencer times médios/pequenos em casa é uma exigência para um clube do tamanho do Palmeiras. Mas revendo atentamente o duelo de ontem, constata-se uma tendência preocupante e muito mais urgente que o resultado em si: estamos perdendo o respeito dos visitantes.

Os 3 pontos são importantes, é verdade, como em qualquer esporte cujo objetivo é a vitória. Mas, acima disso, há de se notar a dificuldade que o Palestra vem tendo de fazer valer o peso e a tradição que a camisa ostenta. As partidas em casa são preocupantes, mas não só. Mesmo atuando como visitante, os adversários começam a não mais retrair-se como o fazem perante um gigante.

Vencemos 3 das 4 partidas nesse início de campeonato, mas em nenhuma delas mostramos o que é Palmeiras. E não venham dizer que nossa arrancada é tão boa quanto 2003. O que está em jogo é mais do que a posição atual na tabela, o acesso e até mesmo o retorno ao lugar que é nosso de direito. Está em jogo o respeito e a tradição, que pode determinar os caminhos da SEP nos próximos anos.

Alcançar o G-4, manter-se no mesmo e até conquistar o título são objetivos aos quais devemos nos ater até o fim do ano. Um planejamento a curto prazo, diria. Mais à frente, contudo, e muito mais importante, está o “longo prazo”. E é exatamente aqui que entra o que deveria ser a principal preocupação dos que nos dirigem: retomar o respeito que o Palmeiras merece.

Quando digo isso não estou falando somente do centenário, de 2014 e da Série A. Tem de ser pensar mais longe. Voltar a enfrentar nossos rivais de cabeça erguida, sem medo, sem o risco de vexames, colocando times medíocres, como todos os presentes na atual Série B no lugar que merecem: abaixo da SEP.

Não é preciso analisar individualmente as atuações de ontem, em Itu, ou de qualquer partida do ano para verificar que um, talvez dois, jogadores tem capacidade técnica/tática de ocupar uma vaga no time titular do Palmeiras. O resto é exatamente isso: resto. E deveria, no máximo, servir de reserva (por mim nem deveriam vestir nossa camisa, mas vá lá).

Não adianta comemorarmos 3 pontos tão somente por que os mesmos nos colocam no caminho do acesso. A preocupação tem de ser com a manutenção entre os grandes, brigando (e conquistando) títulos, sempre. Entendam que isso foi, é e tem de continuar sendo o objetivo do nosso clube.

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Não vou nem mencionar o fato que de essa postura de reerguimento da SEP passa, necessariamente, por uma reaproximação urgente e tão necessária entre clube e torcida. O público voltou a ser decepcionante (para os padrões do Palmeiras, não dos dias atuais), mas agora é hora de rumar para Recife no primeiro desafio fora da Série B.




terça-feira, 4 de junho de 2013

Uma torcida sem time

Não temos time. Essa é uma constatação triste, mas real. Pior, o elenco atual reúne sobras (e a pior parte dela) do time rebaixado no ano passado, com poucos e fracos reforços que tecnicamente deixam muito a desejar. Um dado é sintomático da situação que vivemos: apesar da troca de diretoria, das ditas reformulações e revoluções, mudanças de pensamento, atitude, etc, oito dos onze que iniciaram a partida de ontem, já pela terceira rodada do Campeonato Brasileiro da Série B, estiveram presentes no vexame da última temporada. Precisa dizer algo mais?

O público não foi dos melhores, como vem sendo praxe nos últimos jogos. Talvez assustados com o preço cobrado (vale dizer que não houve “redução”, o valor ainda é maior do que o cobrado durante todo o campeonato paulista), talvez pela data entremeada em um feriado, talvez pela distância ou talvez (acredito mais nessa possibilidade) pela mediocridade que impera no Palestra atual.

Os que hoje vestem nosso manto são apenas números, infelizmente. Não nos representam e não representam nada das tradições as quais sempre nortearam nossos ideais.

Exemplos não faltam, como o volante que ninguém nunca ouviu falar, que só existe graças ao Palmeiras e teve a ousadia de “forçar” uma transferência. “Forçar”? Um perfeito filho da puta que teve como maior marca na carreira manter o Náutico na primeira divisão. E que se acha craque? Maior que um clube da dimensão do Palmeiras. Que tempos são esses...

Há também aqueles que simplesmente não têm culpa. São medíocres e incapazes. Mas vestem nossa camisa graças aqueles que hoje nos dirigem. Compõem de 60 a 70% do elenco atual. E é desses que nosso acesso retorno à elite dependerá. Ou não...

Desconheço a situação financeira do clube atual (a qual não deve ser fácil), mas é impossível acreditar que não podemos contar com jogadores de clubes médios do Brasil ou mesmo grandes do resto da América do Sul. É difícil acreditar que temos menos poder de barganha do que clubes menores e menos organizados. Que nos tornamos reféns de jogadores cujos vencimentos atingem cifras de meio milhão, mas nem em campo entram.

Mais do que falar em jogadores que nada acrescentam, contudo, é a hora daqueles que nos dirigem mostrarem a que vieram. Limpar, caso seja preciso, boa parte desse elenco, começar do zero, não permitir mais humilhações, buscar soluções rápidas e eficientes. O Palmeiras não pode mais viver de vexames como os de ontem. Simplesmente não pode. E boa parte da mudança começa por renovar o tecnicamente vergonhoso elenco que tem em mãos.

Não há culpados. Todos têm sua parcela nos seguidos vexames que se acumulam. Mas está mais do que na hora de reforçar o elenco, chamar a torcida para perto (e horário ridículo como o das 19h30 em plena terça-feira, em Itu, nada ajudam) e somar forças. Mais do que o risco de permanecer na Série B, está o risco de continuarmos no processo do apequenamento. E isso não aceitaremos jamais.