Como um blog que se pretende de
arquibancada, da geral, do estádio, nada como dar o pontapé inicial no “Palmeirense
de Arquibancada” tratando de um tema espinhoso, mas que não poderia passar
batido após o recente episódio do aeroporto de Buenos Aires e os consequentes
desdobramentos do ato que terminaram por colocar a principal torcida organizada
do clube contra os demais torcedores. Algo que deve continuar refletindo nas
arquibancadas palestrinas por um bom tempo.
Antes, é preciso deixar claro que o
episódio da agressão (ou tentativa) de alguns torcedores da Mancha Verde no
aeroporto de Buenos Aires, após a derrota do Palmeiras para o Tigre, é algo que
não pode ser chancelado pela diretoria ou torcida. A defesa da agressão como
forma de intimidar um atleta é por si só um absurdo, por mais que vez ou outra tenhamos
imensa vontade de “trocar algumas palavras” com determinados atletas que tenham
uma (ou várias) atuação ruim.
Tentativa de agressão, consumada ou
não, deve ser punida como manda a lei, identificando os culpados, punindo-os e
pondo um ponto final no assunto. Não é isso que foi feito. Após os episódios, teve
início uma guerra aberta entre os chamados “torcedores comuns” e a principal
torcida organizada do clube. É importante lembrar que a tensão entre as duas
partes já existia. E ficou exposta de forma ainda mais visível durante a
derrota para o Penapolense, onde a organizada foi xingada por uma parte da
torcida após vaiar o meia Valdívia.
A partir daí, seguiram-se uma série de
eventos que só fortaleceram o processo de divisão da torcida palestrina: abaixo-assinado
para a extinção da torcida, diminuição da presença de público nos jogos, guerra
aberta entre presidente do clube e organizada. Nas últimas semanas, o ambiente
ficou ainda pior nas arquibancadas, com a clara divisão entre “prós Mancha” e “contra
Mancha”, resultando num público pífio durante o clássico de domingo. E isso,
meu caros, é uma aberração. Dividir e/ou descaracterizar um ambiente tão único
como a arquibancada é de uma idiotice sem tamanho. Não há certos e errados. Ou,
pelo menos, não já totalmente certos e totalmente errados. Todos têm suas
opiniões e devem manifestá-las. Mas, acredito verdadeiramente, que isso deve
ser feito no estádio, junto ao seu clube.
Dois argumentos que não consigo
entender como alguém que se diz apaixonado pelo seu clube consegue utilizar:
“A Mancha tem que ser extinta”
Somente alguém que desconhece a (rica)
história das torcidas palmeirenses pode dizer algo similar. Não somente Mancha,
mas TUP, Savoia, qualquer grupo de amigos ou de torcedores que se unem para
apoiar o Palmeiras. Uma ideia que nasceu com esse fim não pode ser extinta.
Diria que mais de 90% dos torcedores
que assinaram esse abaixo-assinado não costumam frequentar o estádio. Até por
que boa parte dos que lá estão buscam, sempre que possível, estar perto da
organizada, aprender seus cantos, seus códigos. E mesmo os que não têm esse
objetivo (mas frequentam o estádio) entendem a importância da mesma para o
clima e o ânimo do estádio, principalmente nos momentos nos quais o time
precisa de apoio. Quem nunca quis “ficar perto da Mancha” quando pequeno?
Responder de forma sincera a esse questionamento já diz muito sobre os que se
colocam contra ou a favor da torcida organizada.
“Não vou ao estádio em forma de
protesto”
Acho um argumento inaceitável. E
escutei isso de amigos que, acreditem, estiveram em inúmeras partidas (nesse
ano, inclusive) ao meu lado. Vamos fazer um exercício de imaginação tendo por
base o cenário utópico daqueles que pensam dessa forma: a maior parte dos que
vão são membros da organizada. Se, sob forma de protesto, eu não for ao
estádio, contribuirei para o seu esvaziamento. Mas, certamente, não para a
diminuição da presença das organizadas. Resultando em uma parcela cada vez maior
de torcedores organizados compondo os presentes aos estádios. Onde está a
lógica de utilizar essa forma de protesto?
Não estou nem colocando em discussão o
conteúdo, mas a forma. O respeito pelos argumentos contrários a manutenção da
torcida devem ser feitos. Mas se a presença no estádio não ocorre por parte
desses “torcedores”, o dito organizado continuará prevalecendo. E a força
continuará a vir quase que exclusivamente dos torcedores organizados.
Pacaembu, 20h30. Adversário: Paulista,
que briga tanto pela vaga no G-8 quanto contra o descenso. Ótima oportunidade para
retomarmos o caminho dos gols e, principalmente, das vitórias. Vemos-nos por
lá!

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