quinta-feira, 14 de março de 2013

Questão de Bancada...




Como um blog que se pretende de arquibancada, da geral, do estádio, nada como dar o pontapé inicial no “Palmeirense de Arquibancada” tratando de um tema espinhoso, mas que não poderia passar batido após o recente episódio do aeroporto de Buenos Aires e os consequentes desdobramentos do ato que terminaram por colocar a principal torcida organizada do clube contra os demais torcedores. Algo que deve continuar refletindo nas arquibancadas palestrinas por um bom tempo.

Antes, é preciso deixar claro que o episódio da agressão (ou tentativa) de alguns torcedores da Mancha Verde no aeroporto de Buenos Aires, após a derrota do Palmeiras para o Tigre, é algo que não pode ser chancelado pela diretoria ou torcida. A defesa da agressão como forma de intimidar um atleta é por si só um absurdo, por mais que vez ou outra tenhamos imensa vontade de “trocar algumas palavras” com determinados atletas que tenham uma (ou várias) atuação ruim.

Tentativa de agressão, consumada ou não, deve ser punida como manda a lei, identificando os culpados, punindo-os e pondo um ponto final no assunto. Não é isso que foi feito. Após os episódios, teve início uma guerra aberta entre os chamados “torcedores comuns” e a principal torcida organizada do clube. É importante lembrar que a tensão entre as duas partes já existia. E ficou exposta de forma ainda mais visível durante a derrota para o Penapolense, onde a organizada foi xingada por uma parte da torcida após vaiar o meia Valdívia.

A partir daí, seguiram-se uma série de eventos que só fortaleceram o processo de divisão da torcida palestrina: abaixo-assinado para a extinção da torcida, diminuição da presença de público nos jogos, guerra aberta entre presidente do clube e organizada. Nas últimas semanas, o ambiente ficou ainda pior nas arquibancadas, com a clara divisão entre “prós Mancha” e “contra Mancha”, resultando num público pífio durante o clássico de domingo. E isso, meu caros, é uma aberração. Dividir e/ou descaracterizar um ambiente tão único como a arquibancada é de uma idiotice sem tamanho. Não há certos e errados. Ou, pelo menos, não já totalmente certos e totalmente errados. Todos têm suas opiniões e devem manifestá-las. Mas, acredito verdadeiramente, que isso deve ser feito no estádio, junto ao seu clube.

Dois argumentos que não consigo entender como alguém que se diz apaixonado pelo seu clube consegue utilizar:

“A Mancha tem que ser extinta”
Somente alguém que desconhece a (rica) história das torcidas palmeirenses pode dizer algo similar. Não somente Mancha, mas TUP, Savoia, qualquer grupo de amigos ou de torcedores que se unem para apoiar o Palmeiras. Uma ideia que nasceu com esse fim não pode ser extinta.

Diria que mais de 90% dos torcedores que assinaram esse abaixo-assinado não costumam frequentar o estádio. Até por que boa parte dos que lá estão buscam, sempre que possível, estar perto da organizada, aprender seus cantos, seus códigos. E mesmo os que não têm esse objetivo (mas frequentam o estádio) entendem a importância da mesma para o clima e o ânimo do estádio, principalmente nos momentos nos quais o time precisa de apoio. Quem nunca quis “ficar perto da Mancha” quando pequeno? Responder de forma sincera a esse questionamento já diz muito sobre os que se colocam contra ou a favor da torcida organizada.

“Não vou ao estádio em forma de protesto”
Acho um argumento inaceitável. E escutei isso de amigos que, acreditem, estiveram em inúmeras partidas (nesse ano, inclusive) ao meu lado. Vamos fazer um exercício de imaginação tendo por base o cenário utópico daqueles que pensam dessa forma: a maior parte dos que vão são membros da organizada. Se, sob forma de protesto, eu não for ao estádio, contribuirei para o seu esvaziamento. Mas, certamente, não para a diminuição da presença das organizadas. Resultando em uma parcela cada vez maior de torcedores organizados compondo os presentes aos estádios. Onde está a lógica de utilizar essa forma de protesto?

Não estou nem colocando em discussão o conteúdo, mas a forma. O respeito pelos argumentos contrários a manutenção da torcida devem ser feitos. Mas se a presença no estádio não ocorre por parte desses “torcedores”, o dito organizado continuará prevalecendo. E a força continuará a vir quase que exclusivamente dos torcedores organizados.


Pacaembu, 20h30. Adversário: Paulista, que briga tanto pela vaga no G-8 quanto contra o descenso. Ótima oportunidade para retomarmos o caminho dos gols e, principalmente, das vitórias. Vemos-nos por lá!

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