quinta-feira, 21 de março de 2013

Cadê o torcedor?


4.160 pagantes. Quatro mil! Não, você não leu errado. Esse foi o público que comprou ingressos para a partida de ontem, contra o Botafogo. Pífio e triste. Acho que esses dois termos definem bem o apoio da torcida palmeirense quando o time joga em casa. E tornam ainda mais complicada a vida de quem espalha o fato da torcida do clube ser uma das mais presentes, acolhedoras, etc.

Falávamos ontem, no Pacaembu, que aquele público era similar ao que estava presente no jogo contra o Atlético-GO, na última rodada do Campeonato Brasileiro de 2012, quando o rebaixamento já estava concretizado. Na verdade, era mais do que similar. Eram quase os mesmos presentes aos dois jogos. Arrisco dizer que, tirando uns 20 ou 30% que sempre variam, o restante da torcida são sempre os mesmos, palmeirenses até a alma e presentes em qualquer jogo, qualquer fase, em qualquer momento que o Palestra estiver.

Tirando esses cerca de 2 ou 3 mil torcedores, pode-se dizer que o Palmeiras enfrenta mais do que uma fase ruim. Enfrenta um distanciamento preocupante de seus torcedores (os que se autoproclamam “comuns”, sem ligações com organizadas). São várias as possibilidades de origem do problema: má fase, pouca qualidade técnica, fechamento do Palestra Itália, etc. Mas nada apaga o fato do Palmeiras perder terreno para os seus adversários nessa briga. E isso é ainda mais dolorido.

Sou daqueles que acredita mesmo que apoiar durante os 90 minutos, e em qualquer lugar possível, no triunfo ou no revés, seja minha obrigação. Não apenas ser torcedor de redes sociais, criticando ou elogiando atrás de um teclado. Mas entendo que boa parte (aliás, a maior parte) não é assim.

E o torcedor funciona na base da troca ou ganho mútuo. Se o time está mal, não tem jogador bom em campo, a competição não vale muito, está frio, o estádio fica longe, o ingresso está caro ou qualquer outra desculpa do tipo, esse “torcedor” não vai ao estádio. E somente ações efetivas por parte da diretoria podem surtir algum efeito nesse caso. O problema é que, hoje, o Palmeiras não faz nenhuma coisa nem outra. E se distancia de seu torcedor comum. Daquele que precisa de vantagens para estar próximo do clube.

Os riscos são enormes. Acompanhem: menos bilheteria, menos receita, menos investimento, menos time bom, menos interesse do público, menos partidas transmitidas, menos receita, menos investimento, menos time bom, menos interesse, menos bilheteria, etc. E convergem para o mesmo fim: um apequenamento inadmissível da instituição.

Não tenho fórmulas prontas e certeiras para resolver essa equação, mas acredito que uma reformulação do programa de Sócio Torcedor, com novos incentivos às adesões e manutenção das antigas seja vital, assim como investimento na qualidade do elenco, em peças que atraiam a atenção dos torcedores (muitos ainda consideram jogadores ídolos), além de um tratamento mais decente aos que vão ao estádio (o fechamento da escadaria do Pacaembu é mais uma prova de como o poder público não sabe tratar o torcedor). São ideias apenas, acho que até insuficientes diante do buraco no qual fomos colocados ultimamente. Mas algo precisa ser feito. E rápido.

***********************************************************************************************************

16 milhões de torcedores espalhados pelo Brasil, 28.557 espremidos na final da Copa do Brasil na famigerada Arena Barueri e 11.904 assinaturas no abaixo-assinado pela extinção da Mancha. Onde estava metade (só metade) desses ontem? Por que no do Pacaembu passaram longe.


Arquibancada Verde

Arquibancada Amarela

Tobogã e Cadeira Laranja / Azul Coberta

Cadeira Laranja Central

Tobogã há poucos minutos do início da partida

Entrada do Pacaembu






Nenhum comentário:

Postar um comentário