A diretoria da AD São Caetano divulgou ontem os valores dos ingressos
para a partida contra o Palmeiras, na próxima terça-feira, às 19h30, em São
Caetano do Sul. A exemplo da medida tomada durante a primeira fase do
Campeonato Paulista, os preços dos ingressos foram elevados em relação às
demais partidas do clube na competição, determinando inacreditáveis R$ 80 para
a arquibancada, seja ela no setor de visitantes ou locais.
A medida, absurda pela quantia envolvida, torna-se ainda mais
inexplicável se considerarmos os valores cobrados pelo mesmo setor nos outros
duelos da Série B que tiveram o clube de São Caetano como mandante. Contra
Ceará (CE), Chapecoense (SC), Atlético (GO), Avaí (SC), Guaratinguetá (SP) e
ABC (RN) o mesmo setor teve custo de R$ 20. Ou seja, mesmo em se tratando de
partidas válidas pela mesma competição, pela mesma fase, no mesmo local e para
o mesmo setor, a diretoria do clube resolveu por bem elevar em 300% o valor da
entrada.
A provável argumentação de valorizar o duelo contra o líder e time mais
forte da competição não se justifica. O mesmo valor (R$ 80) foi adotado uma
única vez pela diretoria do clube no ano. Justamente em partida contra o
Palmeiras pela primeira fase do Campeonato Paulista. Pelo mesmo torneio e fase,
a ADSC também teve o mando de jogo contra o São Paulo. E cobrou um valor de R$
40 pela arquibancada. Ou seja, um aumento de apenas 100% em relação aos valores
habitualmente utilizados e equivalente a 50% do preço cobrado para a partida
frente ao Palestra algumas semanas depois.
Poderíamos, então, exigir que a nossa diretoria confrontasse os dirigentes do São Caetano, exigindo o mesmo tratamento ou uma justificativa plausível para um aumento tão grande apenas para partidas contra o Palmeiras, correto? Não é bem assim que pensam nossos dirigentes, meus caros...
Em entrevista ao site “ESPN.com.br” ontem, o presidente Paulo Nobre afirmou o seguinte, referindo-se aos valores dos ingressos para o Allianz Parque, nossa futura casa: "Eu diria que esta [aumento dos preços] é uma tendência. Eu digo que os preços devem ficar mais caros, só que o sócio-torcedor vai ter um desconto condizente, para que ele tenha um preço mais justo, uma vez que já contribui financeiramente com o clube. O programa Avanti existe para facilitar a vida do torcedor. Com isso, teremos renda substanciais para ajudar o Palmeiras e ter as vantagens que o sócio-torcedor merece".
É claro que ele desconsidera os torcedores que não podem arcar com os custos do programa de ST. Ao mesmo tempo, ao fornecer esse tipo de declaração, da qual se presume que os valores dos ingressos do setor de visitantes também serão elevados, perde-se a argumentação contrária ao aumento dos preços por parte dos nossos adversários, que, dessa forma, não podem (e nem são) ser confrontados por seus aumentos arbitrários e injustificáveis nas partidas nas quais atuamos como visitantes.
Assim, nós, torcedores, ficamos de mãos atadas, principalmente quando as ações e palavras de nossos dirigentes acabam por corroborar esses absurdos aumentos por parte de nossos adversários.
Entende-se que, pela mediocridade, tamanho e falta de importância de um
clube mantido pela administração municipal, os dirigentes optem por soluções
pontuais a fim de se obter maiores receitas em determinados jogos.
Principalmente nos decisivos e frente aos grandes clubes. O que não se percebe
nessa equação é que a medida se traduz em um tiro no pé, já que o aumento
diminui drasticamente a presença do público, mesmo contra um grande clube. Com
esse mesmo valor adotado durante o Paulistão, somente 2.360 torcedores
estiveram presentes no jogo entre São Caetano x Palmeiras, em pleno domingo, às
16h.
Não à toa, o clube de São Caetano tem a pior média de público na Série B: míseros 407 presentes por partida. Na última rodada, contra o ABC, o estádio Anacleto Campanella recebeu apenas 344 torcedores. E nem foi o pior público do time, que teve na 4ª rodada do torneio com apenas 282 torcedores para ver a vitória sobre o Atlético (GO). No Campeonato Paulista o cenário não foi muito diferente, com a ADSC obtendo a pior média de público entre os 20 clubes participantes da série A1 (1.810 torcedores por partida).
Para compensar esses péssimos números, frutos da falta de tradição, história e estrutura de um clube que segue religiosamente os preceitos do futebol "moderno" e visão "empresarial", esses valores são repassados para o elo mais fraco (e apaixonado) dessa cadeia: nós, torcedores.
Ficamos, assim, sujeitos às determinações por parte de dirigente que nem
mesmo se fazem presentes nas arquibancadas. “Gestores profissionais” que decidem
preços, determinam cargas e tomam decisões baseados em experiências quase
sempre distantes de quem vive o dia-a-dia do futebol de dentro dos
estádios.


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